Aventuras e desventuras dos professores, formadores, contratados ou a recibos-verdes que leccionam na Escola Pública, Profissionais, Colégios, IEFP's, Casa Pia, TEIP's em cursos de UFCD's, EFA's, EFJ's, CNO's, AEC's PIEF's, ...

Aceitam-se contributos: eanossaescolinha@gmail.com



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

É POR ISTO...


Quando eu andava na Faculdade se havia um plano, tipo ir ao cinema, em que não podíamos alinhar porque o dinheiro do mês já estava contado, costumávamos esfregar o indicador e o polegar e dizer que não podíamos ir porque estávamos "sem tempo".

Agora, com o fecho das escolas com menos de 20 alunos das aldeias do interior (e reparem no pormenor de, segundo as notícias, as matrículas estarem suspensas - pelo que me questiono como saberão o número real dos alunos que essas escolas teriam em 2011/2012...) - como eu dizia, relativamente ao fecho das pequenas escolas, não consigo deixar de ver a Alçada e o Torcato e o Sócrates e esfregarem os respectivos indicadores e polegares rindo e dizendo entre si "É por razões pedagógicas! Por razões pedagógicas!".

Nessa imagem que aparece na minha cabeça, estão os três a piscar o olho e a rirem de gozo porque os seus filhinhos estarão num colégio particularíssimo, pago a peso de ouro e que não corre de facto o risco de fechar. Estão à vontade, pois.

hgh

PARA O QUE HÁ DINHEIRO

Governo pondera fechar 654 escolas do 1º ciclo

A medida ainda está a ser discutida entre o Governo e os municípios, mas os agrupamentos de escolas já receberam ordens para não aceitarem novas matrículas e informarem os pais que devem aguardar pela entrada em funcionamento da plataforma que vai centralizar o processo.


Na educação em Portugal, há dinheiro para:


1. Fazer obras nas escolas secundárias "ao nível do melhor que se faz na Europa";

2. Equipar todas as salas de algumas escolas com quadros interactivos. Mesmo que um projector fizesse o mesmo papel na maioria das situações;

3. Pegar em escolas que já tinham internet, desinstalar tudo de raiz e voltar a instalar novos sistemas que fazem o mesmo;

4. Encher certas escolas de computadores que têm de ficar desligados porque já não há tomadas suficientes;

5. Oferecer Magalhães às dúzias sem que se perceba o plano educativo que está por trás.


Na educação em Portugal, não há dinheiro para:

1. Reduzir o número de alunos por turma;

2. Manter o par pedagógico a EVT;

3. Manter os créditos horários das escolas;

4. Garantir que crianças do 1º ciclo possam frequentar a escola sem se deslocarem dezenas de quilómetros nem passarem todo o dia sem a possibilidade de apoio familiar.


São as prioridades do nosso governo dito socialista...

ghg

E AQUELES MENINOS DO 1º CICLO...

E aqueles meninos do 1º ciclo que já têm explicações porque os paizinhos não querem ter a chatice de fazer com eles os trabalhos de casa querem para eles uma educação esmerada?

*E não me refiro a ATL. Refiro-me mesmo a explicações...
hgh

domingo, 27 de fevereiro de 2011

AGARRADO AO PODER, NÃO ESTADISTA - O CASO BERLUSCONI


É sem orgulho que vivo num país que elegeu o Sócrates como Primeiro Ministro. Seria ainda com menos orgulho que viveria num país que elegeu Berlusconi como Presidente do Conselho de Ministros. E nem o facto de saber que, com Berlusconi, nunca a Maria de Lurdes Rodrigues chegaria a Ministra de Educação, abala esta minha convicção.

E se é mau saber que se é governado por um energúmeno que tomou o poder de assalto através da força, como se passa em certos países com ditaduras militares, deixa-me atónita ser possível na democrata Europa ter por governante um tipo sem noção da decência e que está lá porque metade do país lá foi meter a cruzinha no seu nome.

Um tipo que chegou onde chegou controlando os meios de comunicação social e que usa o poder para trocar favores, conseguir imunidade judicial para ele próprio e enriquecer de forma ilícita.

Outro que que agarra à cadeira do poder nem que para isso tenha de comprar votos e mesmo que Roma arda com os protestos da oposição.

Como foi que a Europa deixou, como é que todos deixámos, que esta geração de políticos tomasse o poder?...

hgh

sábado, 26 de fevereiro de 2011

MAIS DOCUMENTOS GIROS PARA ENCHER O PORTFÓLIO

Na senda do Vamos Encher o Portfólio com Papel, mais um documento digno de registo: a ficha de observação.

No "trabalho de pesquisa" que fiz sobre Planos de Aula, apercebi-me que Plano de Aula que se preze refere sempre um item que diz "Avaliação das Aprendizagens". Na minha ignorância, eu achava que as aprendizagens dos alunos se avaliavam através de testes, de relatórios, de trabalhos. E que depois haveria a avaliação de atitudes e comportamentos sobre os quais os professores fariam apontamentos de forma simples, mais ou menos formal, e sempre que tal se justificasse. Mais que isso, achava que só a professora dos Gato Fedorento.

Mas depois esse tal item da "Avaliação das Aprendizagens" referia sempre uma "grelha de avaliação" e eu fiquei curiosa. E fui investigar. E depois deparei-me com documentos deste género:
E aí, eu que nunca tive reclamações com as notas que dei, percebi que estou a mover-me em terreno muito pantanoso. É que eu (e felizmente este é um blog anónimo) NUNCA fiz grelhas deste género. Mas há mesmo quem consiga fazer uma ficha destas por aluno por aula?

É que se argumentarem que é para ter um portfólio jeitoso e tal, eh pá, eu calo-me. Ou antes, não calo - acho ridículo e fraudulento. Mas fico mesmo na dúvida é se haverá quem utilize este tipo de documentos. Senão vejamos:

1. A exequibilidade. Quantos alunos têm as vossas turmas? É que se tiverem 3, vá, 5 alunos, ainda pode ser aceitável. Mas pelo que sei as turmas rondam os 26-28 alunos. Quando é que estes professores preenchem esse número de fichas por aula? No intervalo? À noite, ainda enquanto se lembram do que se passou?

2. A quantidade de papel. Façamos as contas por baixo e aceitemos turmas de 25 alunos. Duas aulas por semana. Cerca de 100 aulas por ano. A uma folha por grelha, dá 2500 folhas no final do ano. 5 turmas, dá 12500 folhas no final do ano. Esta gente não podia ser acusada formalmente por atentado contra o ambiente?

3. A utilidade. E depois o que fazem da informação? Médias aritméticas? Gráficos? E chegam à conclusão que o resultado é afinal a ideia que fazem do aluno, mesmo sem grelhas destas, certo? E depois esta informação toda conta quanto na classificação final do aluno? 20%? Valerá a pena o esforço?

Pois é. Com isto, eu só posso concluir: há gente que ou não tem vida própria, ou não tem tempo para preparar devidamente as suas aulas. E nenhuma das categorias me merece muita simpatia...

jhjh

ALÔ,ALÔ! CANTANHEDE?

Professores dão aulas sem receber ordenado

A maioria dos professores da escola Pedro Teixeira, em Cantanhede, Coimbra, vai dar aulas, sem receber ordenado, aos 217 alunos do estabelecimento de ensino particular que encerra na terça-feira, informou fonte da comissão de pais.
«As crianças vão à escola, normalmente, para continuarem a ter aulas. E os professores vão dar aulas sem receberem ordenado», disse Bruno Lopes, da comissão de pais da escola Pedro Teixeira.

«Não abdicamos das aulas para os nossos filhos. Está assente o despedimento colectivo da totalidade do pessoal docente e não docente, mas a escola não vai fechar, apesar de ficar sem pessoal», disse Bruno Lopes.

Eu leio a notícia e assumo que o jornalista não terá conseguido explicar tudo, porque de facto fica por clarificar:

  • Porque carga de água é que os professores haveriam de ir dar aulas sem receber ordenado?
  • Como é que uma comissão de pais decide que, mesmo com o encerramento da escola, "as crianças vão à escola normalmente para ter aulas"?
  • E, finalmente, como é que é possível que, estando assente o despedimento colectivo da totalidade do pessoal docente e não docente, os próprios pais afirmem que "a escola não vai fechar, apesar de ficar sem pessoal"?

É a notícia que está mal escrita, não é? Não haverá por aí ninguém de Cantanhede que queira fazer uma luz sobre o assunto? É que o resto do país não entendeu mesmo...

YGTY

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ESTE É O ESTADO DA EDUCAÇÃO. ESTE É O ESTADO DO PAÍS.

Funcionários a tempo parcial preenchem vagas de auxiliares

Pessoal não docente está a ser contratado a tempo parcial, por três a quatro horas por dia, recebendo três euros à hora.

E na versão áudio:
Praticamente todos os dias o Diário da República dá conta da abertura de novos concursos para contratos a tempo parcial nas escolas. Já no primeiro período deste ano lectivo foram abertos 1830 concursos cujos contratos terminaram na sua maioria a 31 de Dezembro. Uma situação que causa instabilidade nas escolas para além de todos os custos que estão associados ao recrutamento constante de novos funcionários como afirma Luis Pesca, dirigente da Federação Nacional de Sindicatos da Função Pública: "Faz-se o levantamento, publica-se em Diário da República, as pessoas têm 10 dias para serem opositores ao concurso, o júri do concurso tem de reunir, tem de analisar as candidaturas e elaborar uma lista de participação final ...ora estes prazos...abrir concurso em Janeiro para depois despedir em Fevereiro, tem custos no que diz respeito a verbas mas também custos com a gestão do pessoal, custos com a organização das escolas, nos tempos de trabalho"

uu

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

COMO PERDER MAIS TEMPO A FAZER UM PLANO DE AULA QUE A PREPARÁ-LA

Obtive a profissionalização em serviço já dava aulas há algum tempo. Foi uma formação gratificante, onde, mais que aprender, tive oportunidade de reflectir sobre métodos e estratégias. E onde trabalhei com outros professores, vindos de áreas disciplinares diferentes e com percursos distintos, mas todos com experiência significativa no ensino e com vontade de partilhar a sua realidade.

Tive aulas assistidas - na verdade tive unidade supervisionada - fiz vários trabalhos escritos, algumas planificações de aulas, mas tudo dentro do razoável.

Já os meus colegas da faculdade que seguiam a via ensino, pelo que me lembro, eram sujeitos a um ano de estágio onde eram tratados como mentecaptos sem vida própria. Eram-lhes exigidos documentos absolutamente surreais que eles faziam e preenchiam sem barafustar porque eram imberbes e inexperientes e, vamos dizê-lo frontalmente, tinham pouco espírito crítico.

Um desses documentos eram os famosos Planos de Aula, onde os meus colegas eram obrigados a antever como correria a aula ao minuto e cuja antevisão tinham, depois, de cumprir com uma turma à frente enquanto lhes tremiam as pernas e eram observados e julgados pelos Orientadores de Estágio que detectavam sempre, sempre um erro crasso e abominável na prática do estagiário. Aliás, estes meus colegas, perante as suas turmas eram mesmo conhecidos por "estagiários" e não professores de facto.

Ora esta geração compreensivelmente traumatizada está agora a dar aulas. E quando lhes falam em aulas observadas, todo um mundo de pesadelo lhes volta à memória. E tão traumatizados estão que não perceberam que já lhes foram quebradas as pesadas correntes que os amarravam ao estranho mundo dos documentos non-sense e continuam a pensar que têm de fazer linhas e linhas de palha para que alguém lhes sorria de forma paternalista. E surgem então aqueles tiques nervosos que os obrigam a criar documentos que nunca se lembrariam de fazer noutras circunstâncias. Há vários exemplos desses documentos, mas hoje debruçar-me-ei sobre os Planos de Aula, assim com maiúsculas e tudo.

Pois bem, minha gente, para quem vive obcecado em tornar um Plano de Aula no romance da sua vida cá vai a dura verdade que ninguém vos contou durante o estágio pedagógico:

1. Não têm de começar o plano de aula com uma aula de didáctica para totós. Ninguém normal percebe o que é que vocês querem dizer com inputs e outputs e variáveis. Esqueçam essa primeira página A4. Ninguém a lerá e, caso alguém o faça, manterá sempre AQUELE sorrizinho nos lábios.

2. Uma planificação de aula não tem de ser apresentada em blocos de 5 minutos. Só funcionará para turmas com um número de alunos inferior a 1, o que não é vulgar. Só serve para vocês nunca cumprirem o planeado e depois terem má avaliação no indicador "cumpriu a planificação". Estão a ver agora porque é que no estágio vos punham a planificar ao minuto? Fez-se luz?

3. Outra razão para não planearem a aula ao minuto é porque - tchã-tchã! - vocês dão aulas a crianças e adolescentes. E aulinhas assim a correr de seguidinha, só mesmo na Guerra das Estrelas com o mestre Yoda, aquele bichinho fofo, a dar aulas de sabres de luz a um conjunto de meninos que não abrem o bico. Aquilo passa-se numa galáxia distante! Se fosse na terra - onde vocês provavelmente darão aulas - os meninos teriam vontade de fazer xixi, já teriam dado com o sabre de luz no amiguinho da frente e teriam ataques de riso sempre que o mestre formasse frases com o verbo colocado no final.

4. Porque é que têm de especificar coisas como o número de alunos que questionarão em cada actividade? Quem for observar a aula não estará lá para ver? E se o primeiro aluno questionado não perceber, como é que fazem? Não explicam devidamente para cumprir o planeado, ou perdem tempo a explicar e a planificação não é cumprida? Estão a ver porque é que estavam tão nervosos nas vossas aulas assistidas? Percebem agora?

5. Finalmente, o material. Será mesmo necessário referir "caneta"? E "livro de ponto"? E porque não "roupa"? É que despidos a coisa é capaz de não correr muito bem...

Em resumo: eu sei que é difícil libertarmo-nos de conceitos que nos foram impostos de pequeninos, mas há uma altura em que crescemos e temos de começar a pensar por nós. E a sair de casa dos pais. E a ter uma vida própria. E a perceber que há na vida coisas muito mais importantes que inventar papeis inúteis...

jhjh

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

AGARRADO AO PODER, NÃO ESTADISTA - O CASO KADAFI


Se há coisa que não consigo compreender, é a forma como determinada gente se agarra ao poder. Gente que governou durante décadas, mamou à grande, engordou toda a família e que, quando a oposição cresce, em vez de se afastar gradualmente, se agarra teimosamente à cadeira e faz figuras senis.

Gente que vê o povo na rua disposto a ser carne para canhão desde que o governo caia e que consegue declarar que ele é que é o líder da revolução. Gente que vive num mundo tão seu que consegue afirmar que todos os líderes do mundo olham para a Líbia como um exemplo.

Gente que perdeu o sentido da realidade e que deve ter muito a esconder. Caso infelizmente vulgar no panorama político mundial.

dfd

PELOS AÇORES

Multas para pais que não se envolvam na educação dos filhos

A nova secretária regional da Educação do Governo Regional dos Açores, Cláudia Cardoso, pretende dar mais autoridade aos professores para que possam aplicar coimas aos pais que não se envolvam na educação dos filhos.


Eu acho a ideia bonita, mas concretizemos: em situações, e serão bastantes, em que os pais não se envolvem na educação dos filhos e depois vai-se a ver e são pais ausentes, alcoólicos, a família onde a criança está inserida é completamente disfuncional, às vezes já nem se sabe dos pais e é uma avó já velha que cuida das crianças...de que é que resolve a multa? Só se for para descontar directamente do RSI...

gfgf

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

POIS...

Chumbadas limitações às remunerações de gestores públicos

Os projectos de lei do BE, do CDS e do PCP que propunham limitações nas remunerações dos gestores públicos foram chumbados no Parlamento com os votos contra do PS e PSD.
O PSD justificou o voto contra com o argumento de que os projectos “só trariam mais problemas”.

hgh

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

HOMENS DA LUTA - "ZERO DE CERTEZAS" @ PINGO DOCE

SOBRE A SEGURANÇA NAS ESCOLAS

Ninguém esperava uma navalha numa escola segura

Segundo o director: “Isto era imprevisível, estamos num meio rural! Temos cartão electrónico, mas não revistamos os alunos”, insistiu.

Eu sou das que acha que a escola faz parte do mundo real: se houver alguém que quer transgredir, transgride. Por muito cartão electrónico e videovigilância que haja.

Se alguém quiser sair, sai. Ainda me lembro do país em choque porque o menino Leandro saiu da escola em tempo lectivo. Como é que o porteiro (que depois se veio a saber que era moço de recados e telefonista ao mesmo tempo) permitiu que a criança saísse...conheço uma escola dita segura, com o famoso cartão electrónico, onde uma menina problemática saía com regularidade...de gatas entre os colegas que atravessavam o portão...(podia ter-se lembrado de saltar a vedação - ia dar ao mesmo).

Podem por videovigilância na escola toda, que os próprios miúdos combinam hora e local para lutar ("eh pessoal, hoje às 13.30, fight lá fora", avisava um aluno meu aos colegas depois de educadamente me perguntar se podia dar um recado à turma).

Podem por detector de metais, que quem quiser leva bastões de basebol de madeira.

Podem tentar convencer paizinhos e ministério que vivem num mundo cor-de-rosa, fazer relatórios omissos, falar em escola segura, inventar cartões electrónicos, instalar videovigilância (enquanto diminuem o número de auxiliares - na notícia em questão é uma colega que quer levar o agressor à direcção) mas nunca conseguirão controlar todas as variáveis de um local repleto de pessoas (como é uma escola). E isso será tanto mais difícil quanto maiores as escolas forem (que é a tendência actual da política educativa) e quanto mais se defender que a escola é para todos independentemente da sua prestação e comportamento.

It's the real life, stupid!


domingo, 13 de fevereiro de 2011

SE A IMBECILIDADE PAGASSE IMPOSTO, JÁ TÍNHAMOS SAÍDO DA CRISE

Quando li a resposta emanada pelo Ministério da Educação à pergunta relativa à extinção do par pedagógico em EVT endereçada ao deputado José Luís Ferreira (PEV), comecei por jurar que não ia comentar nada. Acreditem ou não, eu tenho mesmo mais que fazer que dissertar sobre imbecilidades...mas há qualquer coisa em mim que insiste em não deixar passar em branco certos episódios que envolvem a nossa classe política...

Portanto, quanto à extinção do par pedagógico na disciplina de EVT, onde turmas com 28 meninos do 2º ciclo manuseiam material como martelos, pregos, agulhas, x-actos, tesouras ou vidros, e relativamente à falta de segurança que pode advir por se retirar um segundo professor da sala de aula, é esta a resposta do ministério:

"O Ministério da Educação considera que desta alteração curricular não deverá resultar qualquer diminuição do grau de segurança dos alunos nas aulas de Educação Visual e Tecnológica, devendo as escolas e os docentes tomar as medidas adequadas a um manuseamento seguro de ferramentas e materiais utilizados nas actividades lectivas a realizar em sala de aula"

E eu, que leio tanta coisa oca, devo dizer que esta última frase ganha sem dúvida o prémio Olha Como Responder a Tudo Sem Dizer Nada Nem Apontar Directivas ou Soluções. Tentem lá responder às questões seguintes com "O Ministério da Educação considera que desta alteração (...) não deverá resultar qualquer diminuição do grau de segurança dos alunos nas aulas (...), devendo as escolas e os docentes tomar as medidas adequadas (...) em sala de aula":

- Chove no ginásio e o chão está escorregadio?

- Os alunos e os professores foram feitos reféns por um grupo de pais alucinados?

- Uma cegonha morreu entalada na hotte do laboratório de química e verifica-se a concentração de gases perigosos?

Dá, não é?

É demasiada incompetência para ser verdade. Mantenho a minha que o pessoal do ME tem um sentido de humor completamente inviesado e que choram a rir enquanto inventam estas pérolas. Até parece que os consigo ver a correr de gabinete em gabinete, durante o horário de expediente, a ver quem consegue escrever a frase mais anormal.

E não consigo deixar de me sentir alvo de chacota.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Supra-Habilitado, esse Cromo!!!

Como os meus alunos dizem: "Não vale a pena ser licenciado, stôr, pois vai-se para o desemprego...". Por outras palavras:

i) "Mais vale ganhar o ordenado mínimo e estar em casa dos pais..."
ii) "As oportunidades estão nas Novas Oportunidades!"
iii) "Mais vale um mau emprego, do que nenhum emprego!"
iv) "O que eu quero para o futuro? Não fazer nada!"
v) "Se por acaso estudar, quero uma licenciatura ao domingo!"

E assim se vai andando, neste País das Maravilhas!!!!

HOMENS DA LUTA - QUE ESPERTO QUE EU SOU

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

FALTA DE SARNA COM QUE SE COÇAR?

No seguimento da saga vamos lá complicar isto e arranjar sarna para nos coçar tropecei num procedimento de ADD para as aulas assistidas digno de registo.

Portanto, isto é o que diz o Decreto Regulamentar n.º 2/2010 que regulamenta o sistema de avaliação do desempenho do pessoal docente:E esta foi a forma que uma Comissão de Coordenação da Avaliação do Desempenho (CCAD) de uma escolinha do nosso país encontrou para operacionalizar o que vem no decreto:

Assim, de uma assentada, esta CCAD inventou:
  • Uma reunião de pré-observação da aula assistida e a respectiva acta;
  • Uma reunião de pós-observação da aula assistida e respectiva acta;
  • Uma reflexão escrita sobre a forma como a aula assistida decorreu;
  • Uma planificação de aula que inclui uma caracterização da turma a nível sócio-afectivo.
No fundo, a única coisa que não inventou foram as aulas assistidas, que estão de facto contempladas no decreto oficial.

E eu pergunto, isto é falta com que se entreter e precisar de ocupação ou é só uma forma de desincentivar o pedido de aulas assistidas?

JHJUH

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

APELO AOS SENHORES DEPUTADOS DO CDS-PP



Senhores Deputados do CDS-PP,


Eu até compreendo o vosso discurso contra o Rendimento Social de Inserção oferecido a determinada gente. Há (e eu conheço) casos de pessoas que não querem, mas não querem mesmo trabalhar e que adoram andar em EFAs a fingir que estudam enquanto usufruem do RSI. E que fazem contas para continuar a "estudar" até aos 45 anos porque aí "já não há de certeza ninguém que me queira dar trabalho". E que depois vão esconder os LCDs e as Playstations que têm em casa no dia da visita das assistentes sociais para manter o estatuto de pobre. E que depois se gabam a quem quer ouvir que numa feira de um dia fazem 1500€. Tudo limpo e isento de impostos. Paguem os outros para a alimentar os RSI desta gente.

Estamos então conversados e de acordo quanto ao princípio que defendem.

Mas...e agora façam um esforço para compreender o meu ponto de vista...mas eu dou aulas numa escola onde as famílias de um número significativo de alunos vivem à custa do RSI. E muitos desses alunos não são propriamente civilizados. Dito de outra forma, não estão à espera da escola para aprender alguma coisa e quebrar o ciclo de pobreza (de espírito, tantas vezes) de forma a estarem preparados para a vida sem precisar de subsídios do estado.

Ora estes alunos em particular chegam frequentemente atrasados às aulas, faltam com frequência ao respeito aos professores, não deixam os outros aprenderem, atiram palavrões alto e bom som aos professores e colegas e depois queixam-se de ser vítimas de racismo quando são convidados a ir para a rua. Pior que isso, gostam nessas alturas de chamar a família que está sempre pronta (porque não trabalha, lá está) para ir à escola gritar que vai bater no professor e para dizer alto e bom som ao seu educando, numa espécie de declaração pública, que "estás autorizado a bater nessa professora, 'tás a ouvir? Tens a minha autorização!".

Como compreenderão,
quando as coisas chegam a este ponto, é complicado porque desde a MLR, essa grande pedagoga especializada em lidar com meninos díficeis, que ninguém pode ser excluído (leia-se expulso) da escola.

E portanto, senhores deputados, a derradeira arma que as escolas nestes meios têm é ameaçar ir à Segurança Social para que o RSI seja cortado. E então tudo apazigua (temporariamente). Esta é, de facto, a última fronteira.

E este é, senhores deputados, um apelo pungente de quem está no terreno: mantenham o RSI!!!

ps: Em alternativa, arranjem soluções para tirar da escola aqueles meninos que não estão lá a fazer nada. Mas nada mesmo.

* O post está politicamente incorrecto? Olha, azar! Ver colegas a ser ameaçadas não me deixa propriamente bem disposta...

jhu

A VER VAMOS...

Alunos do secundário em protesto a 24 de Fevereiro

Várias associações de estudantes de escolas secundárias de Lisboa decidiram agendar para 24 de Fevereiro um dia de protesto, contra o desinvestimento no sector, a falta de pessoal auxiliar e a efectiva aplicação da educação sexual.


AUDIÇÃO À MINISTRA DA EDUCAÇÃO - BALANÇO DO BLOCO DE ESQUERDA

Caro/a professor/a:

Realizou-se ontem a audição à Ministra da Educação, que veio à AR responder às questões colocadas por um requerimento do Bloco de Esquerda.

De facto, entendíamos ser fundamental que a Ministra explicasse um conjunto de diplomas que terão impactos desastrosos no sistema educativo público:

1. Decreto-lei da reorganização curricular do básico e secundário – nomeadamente: o fim do par pedagógico em EVT, fim da área de projecto e redução do estudo acompanhado.

2. Despacho de organização do ano lectivo.

3. Actual modelo de avaliação de desempenho.

O que resultou dessa audição foi a manifesta incapacidade dos responsáveis do ME em dar resposta às questões que foram colocadas – as alterações propostas pelo ME têm apenas propósitos de contracção orçamental, sem ter em conta os gravíssimos problemas que criam às escolas públicas.

Ou seja, mesmo depois de colocadas as questões, o Ministério da Educação continua a não apresentar qualquer justificação credível destas medidas, nem responde sobre qual o impacto no sistema educativo público, na qualidade da educação e no emprego docente no próximo ano lectivo.

Nesse sentido, queríamos assinalar os compromissos que assumimos:

1. O Bloco de Esquerda vai apresentar uma apreciação parlamentar sobre o decreto-lei relativo à reorganização curricular, no sentido de cessar a sua vigência.

2. Vamos ainda apresentar uma iniciativa que permita despoletar um processo de reforma curricular que seja credível, que tenha por base uma avaliação da estrutura curricular no últimos anos, e que essa reforma tenha a participação e o contributo dos diversos participantes do campo da educação (professores, especialistas, associações de pais, associações científicas).

3. Vamos agendar para discussão na AR a nossa proposta de modelo de avaliação de desempenho docente, propondo a anulação do actual modelo que está a ser aplicado pelo ME.

Qualquer contributo, alerta ou sugestão que lhe pareça importante – não hesite em nos contactar.

Com os melhores cumprimentos,

Ana Drago
Deputada
Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda








quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

EM RESUMO

E, afinal, tudo se resume a isto:

Ministério gastará menos 12% por aluno no próximo ano lectivo

Face aos anúncios sobre a redução de gastos do Ministério da Educação, Rita Rato, do PCP, acusou: "Se houvesse contenção, iniciava-se já hoje a extinção da Parque Escolar, que é um buraco negro, um sorvedor de recursos públicos".

Relativamente ao fim da Área de Projecto e do par pedagógico em EVT, Ana Drago referiu um estudo de 400 páginas que suportarão várias das medidas do governo, mas onde não há "uma única folha A4 que justifique o fim da Área de Projecto e do par pedagógico em Educação Visual e Tecnológica". Isabel Alçada justificou estas alterações com a necessidade de ter uma menor dispersão entre as disciplinas e de reduzir a carga horária, que "era excessiva". A medida "beneficia os currículos e os alunos mas também consegue alguma contenção orçamental", disse a ministra.

Tentando bater o nível de palermice do ex-secretário da educação Valter Lemos, o actual secretário de Estado Alexandre Ventura garantiu que não haverá despedimentos em Educação Visual porque, alegou, muitos destes professores estão nos últimos escalões e em breve vão aposentar-se.

Só para ver se eu percebi esta última - metade dos professores de EVT vão reformar-se?!?

ihiu

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

SÓ UMA IDEIA...

Enquanto lia um post do WE Have Kaos in the Garden, ocorreu-me que podia não ser má ideia distribuir panfletos pelos Encarregados de Educação com a seguinte ideia-chave:


Em 2010, foram gastos 63 mil euros em flores para a residência oficial de José Sócrates.

Fundação do e-escolas custa 1,6 milhões de euros por ano.

O Orçamento de Estado para 2011 prevê gastar:

X53 milhões de euros em pareceres, estudos e consultadoria.


X300 mil euros em artigos honoríficos e para decoração.

X17,2 milhões de euros com a Presidência da República.

X318 milhões de euros com a Presidência do Conselho de Ministros, mais 13% que em 2010.


Não acha que há despesas do estado onde se devia cortar antes de por em causa a Educação do seu filho?


ugh

E QUEM TORTO NASCE...

Avaliação dos professores volta ao Parlamento

O Parlamento volta na quarta-feira a discutir a não consideração dos efeitos da avaliação de desempenho dos professores nos concursos de colocação. «Por motivos que são absolutamente alheios aos professores, um determinado professor pode ser substancialmente prejudicado no concurso apenas por ter sido sujeito a um regime de avaliação diverso», afirmam os comunistas, na exposição de motivos.

Vai um exemplo para os mais distraídos?

Já estive a leccionar numa escola de ranking, situada numa zona de nível sócio-económico elevado, onde os alunos eram acompanhados pelas famílias e ocupavam os seus tempos livres todos com explicações. A típica escola de meninos que querem ir para medicina. TPCs todos feitos, caderninho sempre em ordem, atitude dos alunos em sala de aula normal. Resultados muitos bons. Avaliação da escola upa, upa. Grandes quotas para muito bons e excelentes.

Já estive também numa escola TEIP onde o abandono, a violência, a falta de apoio aos alunos por parte da família é gritante. Nem que os professores fizessem o pino. E às vezes pouco faltava para isso. TPCs maioritariamente por fazer, cadernos que são umas folhas soltas que se perdem, livros para os quais nem sempre há dinheiro, disciplina em sala de aula por vezes de bradar aos céus. Resultados dos alunos bastante sofríveis, claro. Avaliação da escola por ali abaixo. Quotas para muito bons e excelentes assim para o diminutas.

Para reflexão: Onde é que é mais complicado dar aulas? Onde é que o esforço exigido ao professor é maior? Em qual das escolas é que o professor tem de se desdobrar em professor, em pai e em psicólogo? E em qual delas é que um professor tem mais hipóteses de ter uma boa avaliação?

jhjh

SEMPRE HÁ UMA HIPÓTESE...

Mudanças no ensino básico podem ser alteradas no Parlamento

No parlamento, o PCP deverá propor a cessação da vigência do diploma já que, segundo o deputado Miguel Tiago disse ao PÚBLICO, “nada neste diploma parece justificar qualquer das suas disposições”. “Todo ele é injusto e vai aplicar um garrote às escolas que terá um custo muito grave em termos de emprego docente e consequentemente na qualidade das escolas e das aprendizagens”, acrescentou.

hgh

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

CONCENTRAÇÃO DE PROFESSORES NA COMISSÃO DE EDUCAÇÃO

Ida à Comissão de Educação e Ciência

A pedido da Associação Nacional de Professores de EVT, a Federação Nacional da Educação e o Sindicato dos Professores da Zona Norte, disponibilizam a todos os professores da Zona Norte transporte para a Assembleia da República em Lisboa, no próximo dia 8 de Fevereiro 2011.
A Comissão de Educação e Ciência decorrerá terça-feira, dia 8 de Fevereiro de 2011, às 15 horas.

IUI

ISABEL ALÇADA AMANHÃ NA COMISSÃO DA EDUCAÇÃO

Em resposta a uma colega que enviou um mail para várias bancadas parlamentares, surge esta resposta do BE. Onde se confirma que a ministra irá amanhã prestar esclarecimentos à Comissão da Educação.


Cara XXXXXXXXXX,

O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda agradece o envio da sua exposição.

Como sabe, a Ministra da Educação virá amanhã à Comissão de Educação às 15h00, a requerimento do nosso grupo parlamentar prestar esclarecimentos sobre, nomeadamente, a reorganização curricular e o impacto desta medida nas escolas, nos postos de trabalho, nos alunos e famílias.

Estamos preocupados com esta situação e solidários com a vossa luta. Amanhã confrontaremos a Ministra com as reivindicações dos milhares de docentes que serão afectados pela medida de eliminação do par pedagógico em EVT como pela eliminação do desporto escolar, contestada por todos os sectores, inclusivamente pelo CNE.

Esperemos ir ao encontro das suas preocupações.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Margarida Santos

Assessora do GP do Bloco de Esquerda para a Educação

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MAIS ESTATÍSTICA

Numa altura em que tudo se parece medir estatisticamente, cá vai mais uma:

Portugueses são os que menos confiam no Governo


Os portugueses são os que menos confiam no Governo entre um grupo de 23 países analisados num barómetro que avalia o nível de confiança nas empresas, Governo, ONG e media, que hoje será divulgado. Na mesma linha, Portugal “é o segundo país que atribui menos credibilidade a um representante do Governo ou regulador”, sendo apenas superado pela Indonésia.

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

MANIPULAÇÃO INFANTIL?

Enquanto arrumava a cozinha, estranhei a falta de barulho que costuma acompanhar a brincadeira dos dois.
Quando os vi entrar com aquele arzinho triunfante, franzi o sobrolho.
Quando olhei para a obra de arte com que me presenteavam, decidi que está na altura de diversificar os temas de conversa durante o jantar em família...


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BALANÇO: ENCONTRO 3R'S EM CARCAVELOS

Balanço: Encontro 3R's de 5 de Fevereiro em Carcavelos

No encontro de professores-educadores 3R's, colegas de mais de 12 escolas diferentes da Grande Lisboa decidiram:

- começar a dinamizar uma campanha de sensibilização aos encarregados de educação e também de protesto à frente e dentro de cada escola onde for possível (material que brevemente colocaremos disponível para que mais escolas sigam o exemplo das escolas pioneiras);
- receber a ministra Alçada (juntamente com os colegas da APEVT) na próxima terça, dia 8 Fevereiro, à frente da Assembleia da República com um BASTA ao roubo que representa o "caldeirão" BPN. Para alimentar este "caldeirão" com mais de 5 000 milhões de euros, o Governo pretende extinguir o par pedagógico de EVT, direitos de quem trabalha, 30 000 horários, qualidade de ensino, etc.

DF

TOMADAS DE POSIÇÃO, SETÚBAL

Na sequência de reuniões de docentes, (contratados e não contratados) no Agrupamento Vertical de Escolas Luísa Todi (pré-escolar, 1º,2º e 3º ciclos) e Escola Secundária João II, foi decidido organizar um Plenário em Setúbal. Nesse sentido, será organizada uma reunião informal, no dia 9 de Fevereiro, às 21h,na escola Secundária Sebastião da Gama, Sala A1-09 (entrada pelo parque de estacionamento).

Trataremos de assuntos como: Local do Plenário, dia, convidados para falar, formas de divulgação e mobilização, alargamento a outros sectores da sociedade…

Temos já garantida a presença de colegas de várias escolas. É tempo de agir! ... Por isso, pedimos-te que participes. Traz mais alguém da tua escola ou de outras que conheças. Não se esqueçam a luta é de todos: contratados e não contratados.

A ideia é juntar nesta reunião informal um grupo de colegas de várias escolas (1- 2 ou três pessoas por escola) para organizarmos o Plenário.

Lutamos por um ensino de qualidade e, não só. Queremos um Portugal onde todos se sintam bem.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

QUERO ACREDITAR QUE SIM, QUE A REVOLTA COMEÇOU

Professores. Começou a revolta que ainda não faz barulho

O apelo circula nos emails, nos corredores das escolas, nos encontros marcados ao fim-de-semana, nos plenários organizados ao final da tarde ou à mesa dos restaurantes. Os professores conspiram quando e onde é possível, sem esperar pelos sindicatos para preparar os protestos contra a vaga de despedimentos e os cortes anunciados para o próximo ano lectivo. Querem ir para a rua depressa e a falta da logística das organizações sindicais não os impede de acreditar que vão conseguir mobilizar milhares de colegas nas praças ou nas avenidas de Lisboa. O comboio já está em movimento e a cada dia ganha mais velocidade.

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

LEGISLAR O SUCESSO

Imaginemos uma escolinha em Portugal. Imaginemos ainda que essa escolinha está situada num dos bairros mais problemáticos do país. Cujos alunos vêm maioritariamente de famílias desfavorecidas, muitas desestruturadas, onde há fome e falta de bens básicos. Uma escolinha onde a polícia tem livre trânsito. Uma escolinha situada num meio onde há droga e violência.

Os alunos dessa escolinha apresentam, naturalmente, muitas dificuldades de aprendizagem. Para muitos, o último dos seus problemas é a escola. Um número significativo deles caiu num dado momento da sua vida em Portugal e foi colocado de forma administrativa a meio de um ciclo de estudos. Muitos deles, aliás, nem falar correctamente sabem porque em casa fala-se crioulo ou dialecto cigano. Quanto a escrever, estamos conversados.

Imaginemos agora que os professores dessa escolinha são confrontados com o facto da taxa de retenção dos seus alunos ser superior à média do país. Imaginemos que o valor de retenção nacional é de 10% e que o da escolinha em questão é, por exemplo, 28,9%. Os professores lamentam mas de facto sentem que, por muito que se esforcem, não conseguirão dar um ambiente propício ao estudo em casa de cada aluno, que não conseguem apagar o facto dos alunos estarem um feixe de nervos em sala de aula por terem presenciado a uma cena de pancadaria em casa, que não podem ir buscá-los a casa sempre que faltam, que não conseguem impedir que meninas de 13 anos engravidem e abandonem a escola, que se conseguirem que na sua sala de aula haja paz, é já uma vitória.

Continuando o exercício de imaginação, suponhamos que a estes professores é apresentado em reunião um quadro que terão de preencher propondo metas de retenção a 5 anos de forma a convergir para a média nacional. Qualquer coisa tipo:

Os professores, intrigados, questionam:

Mas como podemos conhecer as turmas do ano que vem, quanto mais as turmas que estarão na escola dentro de cinco anos, como podemos saber se serão alunos aplicados ou assíduos?
Resposta: Não sabem.

Mas está o governo a pensar dar um maior apoio social às famílias desfavorecidas?
Resposta: Não. Estamos em crise. A ideia é cortar apoios.

Mas o governo está a pensar dar maior autonomia à escola? Permitir à escola flexibilizar programas?
Resposta: Não. E não se esqueçam dos exames de fim de ciclo, que se os vossos alunos não têm bons resultados, a avaliação da escola vem por aí abaixo.

Então talvez o governo esteja a ponderar aumentar os apoios pedagógicos, insistir no ensino do português como língua não materna, diminuir o número de alunos por turma...
Resposta: Nem pensar. A ideia é contenção de despesas. Menos professores porque é preciso poupar.

Então, então...
Resposta: Sim. É isso. Sem contrapartidas nem planos. Só objectivos. Comprometam-se a passá-los.

E pronto. Professores a preencher tabelas com percentagens fictícias que não têm nenhum significado prático senão a pressão para que sejam passados cada vez mais alunos independentemente do contexto.

Imaginação? Há alturas em que a realidade suplanta a ficção...


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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

TOMADAS DE POSIÇÃO - MOVIMENTO DE PROFESSORES 3R, CARCAVELOS

Encontro de professores-educadores em Carcavelos: o que devemos fazer para vencer?

Encontro do Movimento 3R: Sábado, dia 5 Fevereiro, às 18h. No restaurante "A Pérola", em Carcavelos, junto à praia.
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TOMADAS DE POSIÇÃO - ESCOLA SECUNDÁRIA D. JOÃO II, SETÚBAL

Professores de Setúbal querem travar de novo o Ministério da Educação

Professores de escola de Setúbal respondem ao apelo da vizinha Escola 2,3 Luísa Todi e vão fazer contactos com outras escolas de Setúbal e Palmela com o objectivo de realizar um Plenário onde se abram caminhos que conduzam de novo ao Terreiro do Paço.
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

MEGAGRUPAMENTOS E DEMOCRACIA

O jornal i apresenta hoje uma reportagem sobre alguns megagrupamentos já constituídos.

Os resultados apresentados não são famosos. Lemos a reportagem e não conseguimos vislumbrar uma única vantagem em juntar uma série de escolas desde a pré-primária ao ensino secundário. É aliás dito que
os agrupamentos ganharam uma escala tão grande que, por vezes, se tornam ingovernáveis.


Já as desvantagens são apresentadas pelos próprios directores dos agrupamentos como inúmeras:

  • Frustação por parte dos professores que perderam autonomia;
  • Aumento da carga borucrática;
  • As escolas não conseguem funcionar em pleno porque agora é mais difícil fazer chegar a informação do topo até à base da pirâmide;
  • Legislar por "despacho" passa a ser a regra, substituindo o debate e a partilha de decisões;
  • O número de participantes nas reuniões de professores passou a ser tão elevado que dificulta o cumprimento da ordem de trabalhos, o circular de informação e a tomada de decisões;
  • Dada a redução do crédito global de horas do corpo docente, consequência ligada à fusão, os professores estão ainda mais limitados no tempo disponível para reuniões de planeamento ou de avaliações;
  • Dificuldade em construir horários com professores que dão aulas em várias escolas diferentes;
  • Organização administrativa mais complexa e complicada.

E no meio disto tudo, depois de escrever tanta linha onde os megagrupamentos são arrasados, onde se prova que não contribuem em nada para um melhor ensino, antes pelo contrário, a jornalista ainda comenta que as direcções enfrentam todos os dias a resistência de dezenas de professores avessos às mudanças. O problema é os professores serem avessos às mudanças ou insurgirem-se contra um modelo que não funciona? Mas sou eu que estou a interpretar mal tudo o que foi escrito?

No final, a reportagem é rematada com um tudo foi feito contra a vontade da comunidade, mas que teve de ser feito "porque tem de ser".

E eu só posso rematar: tão democráticos que nós estamos...

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DEOLINDA - QUE PARVA QUE SOU

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração 'casinha dos pais',
se já tenho tudo, para quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, marido, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração 'vou queixar-me para quê?'
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração 'eu já não posso mais!'
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

E PRONTO. ACABAVA-SE LOGO COM A ADD!

Chegou-me hoje um mail com uma ideia fantástica para acabar de vez com a ADD e com aquela mania insuportável de tanto colega que acha que é tão melhor que todos os outros:

Os professores Excelentes devem ficar com as turmas mais difíceis da escola.

Além de ficarem com as turma mais difíceis, devem ficar com as turmas de maior insucesso escolar e com alunos mais indisciplinados, pois só com "Excelência" será possível dar uma boa resposta a tudo isto!!!

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