Aventuras e desventuras dos professores, formadores, contratados ou a recibos-verdes que leccionam na Escola Pública, Profissionais, Colégios, IEFP's, Casa Pia, TEIP's em cursos de UFCD's, EFA's, EFJ's, CNO's, AEC's PIEF's, ...

Aceitam-se contributos: eanossaescolinha@gmail.com



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terça-feira, 28 de junho de 2011

PERDER A INOCÊNCIA OU A PACIÊNCIA?

Um comentário que vira post, da autoria de um anónimo. E cujo conteúdo, é, infelizmente, uma realidade no dia-a-dia de muitos professores.

Perder a inocência também é:
“Obrigar” os colegas a passarem alunos ao abrigo de determinados artigos.

Deixar as “maçãs podres” a estagiarem na própria escola para não as mostrar à sociedade.

Ser obrigado a passar alunos porque os financiamentos das escolas profissionais assim o ditam, ou então depois para o ano não têm trabalho.

Esquecermo-nos que somos professores e passarmos a gestores de distribuição/logistica: Não interessa como mas os produtos têm todos de sair para a cadeia de distribuição.

É pena que todos os que sistematicamente criticam o papel dos professores nas escolas não saibam como as mesmas funcionam, ou que pelo menos não se esforcem para conhecer o mecanismo onde os seus filhos estão integrados.

É pena ouvir e ver uma aluna afirmar que se um professor não tem ”mão” numa turma que não vá para professor (declarações sobre um professor que agrediu 2 alunos e uma funcionária). O que esta aluna não sabe, porque provavelmente ninguém a informou, é que os professores não são pagos para controlarem sistematicamente alunos, mas sim para qualificarem alunos. O estado a que a educação chegou levou a que as prioridades infelizmente mudassem porque os pais não fazem o seu papel e porque os antigos ME “educaram” aos alunos e pais que basta inscreverem-se numa escola para terem sucesso.

Faltam? Não há problema porque os professores depois fazem planos de recuperação.

Chumbam aos testes? Não há problema porque os professores depois repetem esses testes. 


São mal-educados? Não há problema porque dificilmente têm participação disciplinar, porque há escolas cujas maiores preocupações são a sua própria avaliação, ou seja, as quotas.

Chumbam o ano? Não se preocupem porque depois há sempre um artigo que permite o aluno passar, independentemente das negativas que possuem.

Querem desistir da escola? Não há necessidade de preocupação, porque também há sempre mais um programa escolar cuja duração do ciclo de estudos é cada vez mais pequena (por exemplo: em apenas 1 ano obter o que outros o fazem em 3 anos) e cujo trabalho a realizar é quase inexistente (é lindo quando os formandos de cursos EFA – Nível secundário enchem o peito logo no inicio do curso a informar os formadores que não podem realizar testes de avaliação, nem marcar trabalhos para realizarem em casa).

Eu já não sei se será perder a inocência ou a paciência?

popo

sexta-feira, 27 de maio de 2011

HÁ UMA COISA QUE NOS FALTA, É O COMPUTADOR...

Eu acho que o Sócrates devia evitar o mundo real. Porque, enfim, é sempre embaraçoso querer mostrar ao país as Novas Oportunidades, avançar com lugares comuns como "não há maior esperança para um país do que vos ver assim de novo a estudar!" e depois ter os interlocutores a queixarem-se porque afinal o que querem é computadores...

Sr. candidato, fala-lhe alguém que leva um banho (tantas vezes frio) de realidade sempre que vai trabalhar.  Há lugares onde, para sair bem na fotografia, só mesmo com figurantes sujeitos a castings. O Sr. candidato sabe bem a que me refiro. E ir a um centro de formação do IEFP com jornalistas atrás e sair da zona de conforto que são os gabinetes dos directores, foi um passo mesmo muito, muito arriscado. Do que é que estava à espera?



A história das pessoas que se inscrevem nas NO só com o intuito de receber o portátil é um realidade. Há cursos que esvaziam depois da entrega do computador. Não acho mesmo estranho que estejam a atrasar a sua entrega. Mas porque havemos nós de pagar portateizinhos a esta gente toda?

çlçl

domingo, 22 de maio de 2011

O BOM DO PERÍODO PRÉ-ELEITORAL...

O bom do período pré-eleitoral é que se começa a falar de coisas que sempre estiveram à vista de todos mas de que ninguém parecia ter interesse em por em causa...


A investigação do Ministério Público por fraude no âmbito do programa Novas Oportunidades começou há cerca de um ano e continua a decorrer, confirmou fonte oficial da Procuradoria-Geral da República (PGR): "Existe um inquérito pendente, que está em segredo de Justiça." Em causa, apurou o i, está a venda e a compra através da internet de portefólios fraudulentos que dão acesso aos diferentes graus de ensino no âmbito do programa Novas Oportunidades."

Bem investigado, e percebem que os portfólios fraudulentos não se resumem aos que se compram na internet. O que não faltam são portfólios feitos por filhos e amigos de formandos. O que não falta é gente a quem foi oferecido de bandeja o 6º, 9º ou 12º. 

Os seguidores do Sócrates e MLR gostam de argumentar que são os privilegiados quem mais se insurge contra as NO, que não é justo que quem não tenha tido acesso a uma vida cómoda e a uma família que apostou nos seus estudos não tenha também oportunidade de evoluir na habilitação académica. Pois eu acho que o argumento é de uma desonestidade intelectual sem limites. Porque se calhar quem mais se insurge com percursos académicos facilitistas é exactamente quem penou para ter as habilitações que tem. É exactamente quem sabe o que lhe custou abdicar de distracções e actividades que lhe davam prazer para ter notas para entrar na universidade. Quem sabe os sacrifícios que os pais fizeram para lhe pagar 5 anos numa cidade distante para ter um curso universitário. Quem sabe o que é abdicar de parte do ordenado, trabalhando a tempo parcial, para poder ir mais além nos estudos. Quem sabe os sacrifícios financeiros e pessoais que uma família faz quando um dos elementos precisa de completar os estudos (estudos a sério, não uma brincadeira de portfólios e trabalhecos...).

Agora, quando os estudos foram feitos sem brio e de foma facilitada, como parece ter sido o caso do nosso PM, acredito que saber que a outros andam oferecer canudos não chocará demasiadamente. Podia evitar era chamar privilegiado a quem deu o duro para ter as habilitações que tem.

Privilegiado é quem vive à custa do aparelho partidário.

Uma rotunda derrota. Uma rotunda derrota é o que lhe desejo.

jjh

quarta-feira, 18 de maio de 2011

IV questões (OU LEBRES LEVANTADAS) em relação às Novas Oportunidades!


Quando se fala das Novas Oportunidades, antigos Centros de Reconhecimento e Validação de Competências-Chave(CRVCC), trata-se apenas e somente (permitam-me o pleonasmo) de um processo de validação e certificação de competências que bem feito, até teria sentido... mas a realidade não é essa...

Numa primeira fase, os Centros Novas Oportunidades (CNO's) iniciaram-se com a validação e certificação de competências do 9º ano e depois, o mais polémico, este processo estendeu-se ao 12º ano.

Assim, sucintamente, colocam-se as seguintes questões:

i) Que público alvo se valida e certifica? Com que Curriculum Vitae (CV)? De que forma se certifica?

Não me chocaria que este processo validasse candidatos para um 12º ano cujo CV falasse por si... Mas na realidade isto não funciona assim, pois seriam apenas um número mínimo de candidatos que seriam certificados... Há, sim, por que já trabalhei de perto com vários destes Centros, uma pressão governativa - sobre os que funcionam no ensino público (nas escolas secundárias), no ensino privado (a sua sobrevivência depende das metas - números de candidatos em processo de validação e dos candidatos já certificados em cada CNO -, senão podem fechar portas: têm que necessariamente de atingir as metas, para que se justifique a sua continuidade) e nos Centro de Formação da rede IEFP - cujos secretários de estado do Ministério do Trabalho e da Segurança Social deste governo PS fazem as seguintes questões semanalmente: "Quantos em processo? Quantos Certificados?"

Depois, nas escola públicas (normalmente escolas secundárias) e nos centro de formação acreditados (centros de formação da rede IEFP e/ou escolas privadas) os alunos que não completaram o ensino secundário poderão concluí-lo, através da famosas Unidades de Formação Modulares de Curta Duração (UFCD's) - com a duração de 5o horas. Deste modo, um ex-aluno do ensino secundário que nunca fez a disciplina de Matemática, porque não percebia nada de contas, poderá escolher, através de uma vasta lista de UFCD's que lhe é fornecida (como se tratasse de uma ementa), duas (suponhamos) que lhe dêem equivalência a essa mesma disciplina, mas que seja da área científica. E pronto - conclui-se o 12º ano, sem nunca ter tido aprovação a Matemática! Bonito, não?


ii) Quem reconhece e valida estas competências? Como são estruturadas as equipas formativas? Que qualidade têm?

O que se verifica é que muitas destas equipas formativas (excepto no ensino público e que, mesmo assim, são muitas das vezes constituídas por professores com menos experiência) são feitas por formadores (que nem muitas das vezes são professores) que são lançados no universo das competências-chave, uma chek-list de competências (nome bonito para designar o "saber-fazer"), muitas delas difusas, confusas e abstractas... Depois, ou cumprem as metas ou vão para a rua - a maioria deles estão a recibos verdes... e valida-se/certifica-se... e valida-se/certifica-se... sucessivamente... ATÉ A VITÓRIA FINAL! (REELEIÇÃO DO SÓCRATES EM 2011!)

iii) Como se coloca a máquina a funcionar? Todos os CNO's funcionam da mesma maneira? Com a mesma qualidade?

A realidade é que essa check-list de competências foram passadas formalmente para os CNO's e... FAÇA VOCÊ MESMO (como se cada equipa de CNO tivesse uma instrução para montar uma mobília, mas não soubesse o que estava a construir). Deste modo, cada CNO trabalha sobre um modelo criado por si (completamente diferente do CNO, ao lado, no mesmo bairro ou cidade). Ao início, até houve uma preocupação de tornar o processo credível, através de um trabalho minimamente estruturado e consistente, mas a pressão das METAS... Abandalhou o sistema!!!

iv) Quem avalia os CNO's?

Ninguém, meus amigos, segundo o Sr. Sócrates: "os avaliados no processo" - uma coisa que me apercebi logo, enquanto aluno universitário (Universidade Pública), é que nunca se deve falar mal, em caso algum, da instituição onde adquiri o meu canudo, legitimamente, aliás, senão desvalorizar-me-ia profissionalmente, para além de fazer figura de urso! O que é que que estavam à espera? Que falassem mal do que lhe foi oferecido? Isso seria anti-natura!!!

Aliás, muitos destes alunos nem se apercebem do que estão a fazer, cumprem o processo, até lhes dizerem para parar: "STOP! O Senhor está validado! Parabéns, VOCÊ CONSEGUIU!!" Toma lá: um carimbo, um diploma, uma certificação - mais um número para cumprir as metas estipuladas para 2011 e, com sorte, é o próprio Sr. Sócrates que lho entrega em mãos (mais a Ministra de Educação que estiver em serviço nessa altura)!!!

Dou por finda a minha exposição que já vai longa, mas há ainda muitas lebres na toca... (conto apenas aquilo que testemunhei)

GANDAS OPORTUNIDADES

AVALIAÇÕES E AVALIAÇÕES

Quando começou a febre da avaliação dos professores, houve quem argumentasse que os professores sempre tinham sido avaliados. O governo Sócrates insurgiu-se então porque, na sua óptica, uma avaliação tinha de quantificar objectivos, metas definidas, muitas grelhas, relatórios de autoavaliação, portfólios com evidências, colegas a avaliar colegas, encarregados de educação a avaliar professores, professores avaliados pelos resultados dos alunos. Coisa muita rigorosa e muito séria, diziam eles.

Ontem, e relativamente ao programa Novas Oportunidades, lebre muito bem levantada pelo Passos Coelho que afirma que irá pedir uma auditoria externa ao programa, José Sócrates argumentou que o programa já é avaliado. Avaliação essa que se centra exclusivamente na percepção das pessoas que o frequentam.

É assim. O conceito de avaliação é uma coisa muito relativa. O rigor de Sócrates sempre em grande.

jhjh

terça-feira, 17 de maio de 2011

QUEREM CONTACTOS?


A comissão permanente da Assembleia da República debate quinta-feira o programa Novas Oportunidades a pedido do PS que quer saber «porque razão está hoje» o PSD contra aquele programa.

Senhores deputados que integram a comissão permanente da AR, se calhar já têm muita investigação feita e muitas pessoas para ir falar. Mas, caso queiram mesmo saber o que se passa no terreno, caso queiram mesmo saber que há adultos que afirmam alto e bom som que a ideia é andar a fingir que estudam em cursos EFA sucessivos até aos 45 anos enquanto recebem o RSI porque "depois, com essa idade, já ninguém me dá trabalho e eu fico descansado", se quiserem mesmo ver o que são "fichas de validação" onde adultos pintam tudo o é bonecada sem escrever uma única palavra, onde adultos falsificam justificações de faltas só para não terem de ir às aulas (porque, enfim, a assiduidade é a única coisa que compromete o RSI - o aproveitamento é irrelavante - "e bons eram os formadores do ano passado que nos deixavam assinar a folha de presenças e ir embora..."), enviem um mail cá para o blog que nós temos bons contactos para vocês.

Também se arranjam bons contactos de formadores no Regime de Aprendizagem com histórias engraçadas que envolvem, entre outras, histórias de cursos de pintura de construção civil formados em exclusivo por senhoras de virtude duvidosa a quem as únicas pinturas que interessavam eram mesmo as que usavam (e abusavam) na cara para a actividade remuneratória que iniciavam ao final da tarde depois de sair do Centro de Emprego. Mas está tudo bem, porque são menos essas nas estatísticas para o desemprego, não é? O zé povinho que pague a factura...

Cursos CEF, também querem testemunhos? Para esses cursos, até conseguimos que a comissão presencie a reuniões semanais de alguns Conselhos de Turma CEF. É uma experiência muito positiva porque saímos de lá sempre com aquela sensação de alívio...ufa! Não sou eu que tenho de aturar aqueles broncos mal educados que até pela janela entram e saiem da sala...

Por isso, senhores deputados da comissão permanente da AR, caso queiram saber mesmo o que se passa no país real, a gente conta. E até vos pagamos um cafezinho numa esplanada simpática cá da terra. Está prometido.


hgh

segunda-feira, 16 de maio de 2011

ORA BEM...

Ora bem, já vai mesmo sendo tempo de alguém denunciar que o rei vai nu...assim sim, sr. candidato!

Passos quer auditoria às Novas Oportunidades

O líder do PSD considerou que o programa tem sido no essencial uma "mega encenação paga a peso de ouro" para "atribuir uma credenciação à ignorância".

lklk

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

EFA's Sem Dinheiro, no ME?

Têm falta de verbas para pagarem os professores, nem contratam mais? Provavelmente, vão cortar nas verbas do estudo acompanhado dos nossos jovens estudantes, para alimentar a máquina das Novas Oportunidades & LDA!

O mais grave é que são os IEFP's, através do Ministério do Trabalho, com os seus centros de formação que irão ministrar estes cursos e quem está ao serviço nas escolas, da rede DREL, com mais experiência (mesmo sendo contratados), não terão novas oportunidades, correndo o risco de os seus contratos serem cessados...

ALEGRIA NO TRABALHO, amigos!!! E um sorrisinho!!! :)

Cito:

"Os desempregados têm de ter formação, mas as escolas não podem abrir novos cursos.

Está suspensa a abertura de novos cursos de Educação e Formação para Adultos (EFA), inseridos no programa Novas Oportunidades. Não há ainda nenhuma circular ou despacho a anunciar a suspensão, mas a ordem está a ser comunicada informalmente às escolas pelas direcções regionais de Educação."

(...)

A notícia está, de resto, a causar surpresa nas escolas, já que em Dezembro foi anunciado um protocolo entre a Agência Nacional de Qualificação (ANQ) e o Instituto de Formação e Emprego Profissional para canalizar para as Novas Oportunidades todos os desempregados.

«Na próxima terça-feira, tenho uma reunião com o centro de emprego de Gaia, que tem 19 mil inscritos, e não sei o que lhes vou dizer», admite Adalmiro.

Um professor contratado, numa escola da zona DREL, diz temer pelo futuro: «Não sei como vai ser. Esta medida só pode ter como objectivo cortar e acabar com alguns contratos. Mas também há muitos docentes do quadro a dar estes cursos».

Contactado pelo SOL, o Ministério da Educação diz que «o processo de autorização de novas turmas ainda está em curso». E justifica a suspensão com a «análise, à luz do rigoroso cumprimento dos critérios para a constituição de turmas», que ainda está a decorrer.

Ainda segundo o gabinete da ministra Isabel Alçada, estão a ser tidos em conta aspectos como o «número de turmas, o número de alunos por turma, a taxa de frequência e a rede escolar».

O Ministério da Educação não dá, porém, uma data para o fim deste processo. «Tendo em conta que as turmas EFA podem ser constituídas a qualquer momento, não há propriamente um prazo estabelecido».

In, Sol

margarida.davim@sol.pt


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

As Novas Oportunidades I- Os DEF'S Secundários


Hoje vale a pena ter apenas o 9º ano (quem está lixado é quem é no mínimo licenciado - antes de Bolonha)! Só não se tira o 12º ano se não se quiser...
Para quem não sabe pode-se tirar o ensino secundário em 15 meses, fazendo módulos - nestes módulos elaboram-se trabalhos de grupos/individuais, para se retirarem competências da cartola. Vale a pena, criar centros de explicações, de modo a se ajudarem estes marrecos, a relizarem trabalhos com a qualidade de teses de mestrado!
Passo seguinte: um marreco que nunca se esforçou, dirige-se a uma escola, de preferência a um centro IEFP, cujos formadores na maioria são jovens professores em início de carreira, que passam a maioria, pois correm o risco de não lhes renovarem o contrato, caso não atinjam as metas estabelecidas pelo governo, e inscrevem-se nos módulos mais fáceis.
Nas escolas secundárias, os professores sofrem um dilema ético-profissional, caso estejam nas duas variantes: EFAs/Ensino secundário do ensino regular - aos primeiros têm que facilitar, pois a maioria não tem competências, nem para irem dançar o "Vira"; depois, em relação aos seus alunos mais jovens têm que prepará-los para os exames nacionais e são mais exigentes. Há coisas fantáticas, não há?
GizNaTola