Aventuras e desventuras dos professores, formadores, contratados ou a recibos-verdes que leccionam na Escola Pública, Profissionais, Colégios, IEFP's, Casa Pia, TEIP's em cursos de UFCD's, EFA's, EFJ's, CNO's, AEC's PIEF's, ...

Aceitam-se contributos: eanossaescolinha@gmail.com



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quarta-feira, 20 de julho de 2011

PRÉMIO ARGUMENTO MAIS ESTÚPIDO

Quando o ouvi uma vez, aceitei que a pessoa em causa estava cansada e a ver mal o filme. Depois ouvi o mesmo argumento outra vez. E outra vez. Por outra e outra pessoa. E assumi que não era cansaço. Era mesmo egocentrismo infantil e bacoco.

Assim, e neste encerrar de ano lectivo, o Prémio Argumento Mais Estúpido vai para...

- Esta avaliação é muito injusta, muito arbitrária, blá, blá, blá... mas agora  EU também não achava bem que não contasse para o próximo concurso, porque EU esforcei-me tanto, EU fiz tanto show-off, EU perdi tanto tempo a fazer um relatório, que agora também não queria perder o MEU asterisco.

E tirar as palas dos olhos e tentar ver o todo, era assim a modos que difícil para essas cabecinhas, não?




klk

quinta-feira, 14 de julho de 2011

E SE...

O professor Ramiro do blog ProfBlog escreveu hoje um artigo quanto ao desastre que foram os exames do 9º ano relativamente a anos anteriores (os da MLR, onde tudo servia para a estatística...) com o título: "Implicações a tirar da catástrofe: rigor no acesso, prova de ingresso e período probatório". O professor Ramiro associa portanto à partida maus resultados num exame com fraca formação dos professores (o que me leva a pensar se nos anos da MLR o professor Ramiro advogou que os professores estavam mais bem formados que nunca...).

Pois, professor Ramiro, mas eu,  não sendo professora de Matemática nem de Português, dou aulas ao 9º ano e conheço os alunos. E conheço os professores. E vi a displicência com que os alunos encararam os exames, sem trazer sequer  de casa o material necessário para a prova, até porque "já tive positiva, stôra". E vi também o desânimo e a frustração que os colegas  (professores com muitos anos de serviço) demonstraram hoje, depois de batalharem um ano inteiro por coisas tão básicas como a realização dos TPC ou a assiduidade dos alunos, depois de darem aulas extra para preparação para o exame e propondo-se a todos os testes intermédios possíveis.



Por isso, ponho outra hipótese:

E se...
 
E se os resultados provarem apenas que
  •  quanto mais facilitista é o ensino;
  •  quanto mais os professores forem pressionados a passar os alunos ao longo do ciclo (olhem as metas, as metas!!!!);
  •  quanto mais os alunos forem passando sem saber;
  •  quanto mais os alunos puderem faltar sem consequências;
  •  quanto mais os alunos souberem que independentemente do seu esforço, hão-de passar de qualquer maneira, nem que seja num Centro Novas Oportunidades num cursinho dado em apenas 1 ano...
Menos empenho há e que por isso piores serão os resultados?

Não sei, acho que este aspecto também podia merecer reflexão, porque achar que uma prova de acesso à profissão era o suficiente para por os alunos a estudar, parece-me uma visão um bocado simplista...

hjhj

quarta-feira, 13 de julho de 2011

À DERIVA

Ainda hoje falei com um elemento de um Conselho Executivo que me dava a seguinte informação relativamente aos horários para 2011/2012 que têm de ser entregues na DGRHE até dia 22 deste mês: "temos a distribuição de serviço parada porque o que nos é dito em reuniões com outras escolas é que estão para sair novas directrizes".

Não é preciso um mestrado em organização escolar para perceber que caso as novas directrizes cheguem, chegam tarde; caso não cheguem, está a ser empatado de forma injustificada o trabalho das escolas. E em qualquer uma das situações, o ME não se sai bem na fotografia...Não seria uma boa altura para a implosão defendida pelo Nuno Crato?


A educação está a duas velocidades. De um lado, o ritmo do novo ministro, Nuno Crato, que até ao fim deste mês irá informar as escolas das alterações que pretende introduzir no próximo ano lectivo; do outro, o calendário da Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE), que impõe aos estabelecimentos de ensino prazos para decidirem sobre a organização curricular.

kjkj

quarta-feira, 6 de julho de 2011

É QUE ERA PRECISO...

É que era preciso eu estar muito histérica para dar 15€ por um livro para fazer um relatório de 6 páginas, cuja avaliação é subjectiva e ninguém sabe muito bem para o que servirá. E, pior ainda, sabendo que o relatório nestes moldes não existirá no ano que vem. Acho que seriam as 6 páginas mais caras que alguma vez escrevi na vida...


segunda-feira, 4 de julho de 2011

ACHO ÓPTIMO...

Numa escolinha algures pelo país,  em reunião de Conselho Geral, e perante a evidência do aumento do abstentismo, abandono e indisciplina, é deixado em acta, entre outras recomendações, que:

"(...)No próximo ano lectivo, as turmas mais difíceis sejam atribuídas aos docentes com melhor avaliação pois, sendo esta digna e justa, estes docentes são obviamente os mais capacitados."

Ora bem! Peguem lá num CEF manhoso e mostrem a vossa excelência!

JÁ SE PODE DIZER

Calhou-me, entre outras tarefas, fazer a planificação de um determinado nível da minha disciplina para o ano lectivo que se avizinha.

Isto dos programas do Ministério da Educação oferecerem páginas e páginas de "Orientações Curriculares" em vez de conteúdos a leccionar é de bradar aos céus!!!!

Ufa! Sabe bem poder dizer estas coisas sem sermos olhados como mentecaptos obsoletos, não é?

hjh

quarta-feira, 29 de junho de 2011

MAIS DO MESMO

E cá vamos nós. Mais uma vez, as medidas-chave do ministério passam por exames para acesso à profissão (porque se assume que a formação que os professores têm - e que é ministrada por entidades tuteladas pelo próprio ministério - é deficiente, apesar do PSD ter sido contra esta medida no tempo da MLR), ADD reformulada mas sem mexer para já na actual (porque é borucrática, porque é injusta, mas devem ter medo que sem o espectro de uma avaliação os professores deixem de trabalhar...), e "reforço" da autoridade do professor (ao mesmo tempo que se pretende incrementar o poder dos municípios na escola - e eu, que já trabalhei numa escola de gestão camarária, sei que esse é o primeiro passo para uma escola passar a trabalhar numa lógica de lucro à merceeiro).

Entretanto, os professores do quadro continuam sem progredir, os professores contratados continuam sem ingressar nos quadros e a sujeitar-se todos os anos a não saber se têm trabalho em Setembro, concorrendo às cegas, sujeitando-se a dar qualquer horário (diurno ou nocturno), qualquer nível de ensino, qualquer tipo de currículo alternativo para qualquer tipo de público-alvo. E sem direito a compensação quando o contrato acaba.

Boas lideranças são assim. Geram motivação e confiança no futuro.

hgh

terça-feira, 28 de junho de 2011

PERDER A INOCÊNCIA OU A PACIÊNCIA?

Um comentário que vira post, da autoria de um anónimo. E cujo conteúdo, é, infelizmente, uma realidade no dia-a-dia de muitos professores.

Perder a inocência também é:
“Obrigar” os colegas a passarem alunos ao abrigo de determinados artigos.

Deixar as “maçãs podres” a estagiarem na própria escola para não as mostrar à sociedade.

Ser obrigado a passar alunos porque os financiamentos das escolas profissionais assim o ditam, ou então depois para o ano não têm trabalho.

Esquecermo-nos que somos professores e passarmos a gestores de distribuição/logistica: Não interessa como mas os produtos têm todos de sair para a cadeia de distribuição.

É pena que todos os que sistematicamente criticam o papel dos professores nas escolas não saibam como as mesmas funcionam, ou que pelo menos não se esforcem para conhecer o mecanismo onde os seus filhos estão integrados.

É pena ouvir e ver uma aluna afirmar que se um professor não tem ”mão” numa turma que não vá para professor (declarações sobre um professor que agrediu 2 alunos e uma funcionária). O que esta aluna não sabe, porque provavelmente ninguém a informou, é que os professores não são pagos para controlarem sistematicamente alunos, mas sim para qualificarem alunos. O estado a que a educação chegou levou a que as prioridades infelizmente mudassem porque os pais não fazem o seu papel e porque os antigos ME “educaram” aos alunos e pais que basta inscreverem-se numa escola para terem sucesso.

Faltam? Não há problema porque os professores depois fazem planos de recuperação.

Chumbam aos testes? Não há problema porque os professores depois repetem esses testes. 


São mal-educados? Não há problema porque dificilmente têm participação disciplinar, porque há escolas cujas maiores preocupações são a sua própria avaliação, ou seja, as quotas.

Chumbam o ano? Não se preocupem porque depois há sempre um artigo que permite o aluno passar, independentemente das negativas que possuem.

Querem desistir da escola? Não há necessidade de preocupação, porque também há sempre mais um programa escolar cuja duração do ciclo de estudos é cada vez mais pequena (por exemplo: em apenas 1 ano obter o que outros o fazem em 3 anos) e cujo trabalho a realizar é quase inexistente (é lindo quando os formandos de cursos EFA – Nível secundário enchem o peito logo no inicio do curso a informar os formadores que não podem realizar testes de avaliação, nem marcar trabalhos para realizarem em casa).

Eu já não sei se será perder a inocência ou a paciência?

popo

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PERDER A INOCÊNCIA

Perder a inocência é ficar a saber que se passou toda uma turma do 2º ciclo com o principal argumento de "para o ano não temos de os aturar".

lkk

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A/C DR. NUNO CRATO

E quando um formando das NO, regime EFA para obtenção do 9º ano, fica satisfeito por não validar porque assim sempre pode continuar para o ano "na escola a receber o RSI"? E para quem a perspectiva de seguir um EFA para obtenção do 12º ano SÓ não é aceitável porque teria de se deslocar para fora do bairro para "ter aulas"*?...

*Porque pudesse ele continuar a sua vidinha de fingir que estuda enquanto recebe o RSI e com os professores a continuar a deslocar-se da escola para lhes dar aulinhas ao lado da porta de casa, até o podiam por num curso de costura, que lhe era indiferente... 

jkj

quinta-feira, 2 de junho de 2011

AVALIAR OS OUTROS É MESMO GIRO

Um dia destes, veio na mochila do meu filho que frequenta o ensino pré-escolar um inquérito para EU preencher quanto à MINHA satisfação relativamente ao refeitório da escola. Comecei por achar que me estavam a convidar para almoçar, mas depois vi que não, que era só para eu por umas cruzinhas. 

Eu gosto sempre de colaborar com a escola dos meus filhos e por isso, peguei com prontidão numa caneta, mas depois...depois indaguei-me se serei de facto uma mãe alheada porque eu não consigo saber de todo:

  • Se os funcionários realizam eficazmente e com rigor as tarefas que "lhe estão cometidas" (?);
  • Se os funcionários realizam, em tempo, o seu trabalho;
  • Se os funcionários demonstram autonomia.

E a machadada final sobre a minha auto-estima enquanto mãe atenta: EU NÃO FAÇO IDEIA QUAL É A COZINHEIRA QUE MAIS ME AGRADA NA ESCOLA DOS  MEUS FILHOS!!!!

Atarantada, fui falar com a educadora do meu filho, pessoa que muito estimo. Fui então informada que o questionário que tantas dúvidas me suscitou, é para ser também preenchido por cada um dos meninos (sob orientação da educadora, claro - eles não sabem ler...).

De atarantada, passei a divertida (o meu humor é muito volátil, eu sei). É que imagino mesmo a cena como se fosse para os apanhados:

A educadora sentada a uma mesinha com aquelas cadeirinhas pequeninas, os meninos a olhar para ela de olhos esbugalhados enquanto ouvem frases como "então diz lá, querido, entre Insuf, Suf ou MBom, como classificas o refeitório, em termos de trabalho realizado pelas cozinheiras?"

Também gosto da ideia de perguntar aos meninos quais os funcionários que mais lhe agradam. Aliás, acho muito ético por a avaliação e o futuro profissional de adultos nas mãos de crianças de 5 anos.

Será que as direcções de algumas escolas não têm a noção do ridículo?

quarta-feira, 1 de junho de 2011

OH SENHORES DO MINISTÉRIO!

Oh senhores do ministério, só um desabafo cá da minha parte: tanta coisa com metas de sucesso, tanta pressão para Os Resultados, e depois...

...depois quando os meninos estão em situação de abandono escolar,  não aparecendo na escola desde meados do 1º período, não podem ser excluídos porque há sempre a hipótese de se lembrarem de vir fazer "a recuperação das faltas injustificadas" (não sei porque é que a troyka não obriga a instituir essa possibilidade, a do trabalhador poder recuperar faltas injustificadas depois de meses sem aparecer...).

Ora numa turma de 27 alunos em que há 8 casos desses,as pautas não ficam muito bonitas, com tantos níveis 1 por aquelas linhas fora. Metas de sucesso...por um canudo. Avaliação externa da escola...sofrível.

O que é que os senhores do ministério propõem que as escolas façam para que as vossas estatísticas não vos envergonhem na Europa nem prejudiquem a avaliação da escola e, consequentemente, a dos professores? Não querem que a gente dê nível 3 a alunos de quem já nem nos lembramos...

...não querem, pois não?...

...hum?...

çlçl

quinta-feira, 19 de maio de 2011

BRINCANDO ÀS AVALIAÇÕES

"O sistema solar é constituído pelo Sol e pelos corpos celeste que orbitam à sua volta. Actualmente, considera-se que os planetas que fazem parte do sistema solar são Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Em 2006, Plutão deixou de ser classificado como planeta, embora continue a fazer parte do sistema solar.

Questão: Actualmente, considera-se que o sistema solar é constituído por quantos planetas?"

Não, não é uma pergunta de algibeira para meninos do 3º ano, é mesmo a primeira questão do caderno 2 do Teste Intermédio de Física e Química, 9º ano, realizado hoje a nível nacional.

E afinal quando os miúdos se queixam que os professores fazem testes muito difíceis, se calhar têm razão...

gb

terça-feira, 17 de maio de 2011

QUEREM CONTACTOS?


A comissão permanente da Assembleia da República debate quinta-feira o programa Novas Oportunidades a pedido do PS que quer saber «porque razão está hoje» o PSD contra aquele programa.

Senhores deputados que integram a comissão permanente da AR, se calhar já têm muita investigação feita e muitas pessoas para ir falar. Mas, caso queiram mesmo saber o que se passa no terreno, caso queiram mesmo saber que há adultos que afirmam alto e bom som que a ideia é andar a fingir que estudam em cursos EFA sucessivos até aos 45 anos enquanto recebem o RSI porque "depois, com essa idade, já ninguém me dá trabalho e eu fico descansado", se quiserem mesmo ver o que são "fichas de validação" onde adultos pintam tudo o é bonecada sem escrever uma única palavra, onde adultos falsificam justificações de faltas só para não terem de ir às aulas (porque, enfim, a assiduidade é a única coisa que compromete o RSI - o aproveitamento é irrelavante - "e bons eram os formadores do ano passado que nos deixavam assinar a folha de presenças e ir embora..."), enviem um mail cá para o blog que nós temos bons contactos para vocês.

Também se arranjam bons contactos de formadores no Regime de Aprendizagem com histórias engraçadas que envolvem, entre outras, histórias de cursos de pintura de construção civil formados em exclusivo por senhoras de virtude duvidosa a quem as únicas pinturas que interessavam eram mesmo as que usavam (e abusavam) na cara para a actividade remuneratória que iniciavam ao final da tarde depois de sair do Centro de Emprego. Mas está tudo bem, porque são menos essas nas estatísticas para o desemprego, não é? O zé povinho que pague a factura...

Cursos CEF, também querem testemunhos? Para esses cursos, até conseguimos que a comissão presencie a reuniões semanais de alguns Conselhos de Turma CEF. É uma experiência muito positiva porque saímos de lá sempre com aquela sensação de alívio...ufa! Não sou eu que tenho de aturar aqueles broncos mal educados que até pela janela entram e saiem da sala...

Por isso, senhores deputados da comissão permanente da AR, caso queiram saber mesmo o que se passa no país real, a gente conta. E até vos pagamos um cafezinho numa esplanada simpática cá da terra. Está prometido.


hgh

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Há Ritalina a Mais nos Nossos Alunos!! Isso Irritalina-me!!


Fig1. Professor Contratado à espera de ser novamente colocado!



Sinceramente, já começo a ficar farto de falar mal do Sócrates, dá-me azia, eu que, ainda por cima, sofro de refluxo... Centremo-nos, agora, neste blogue, sobre questões de educação!

Neste último mês, apercebi-me que a "dopagem" dos alunos com substâncias antidepressivas no meio escolar é monstruosa...

O rei desses fármacos é a Ritalina (parece ser uma fusão da prima Rita com a tia Lina)! Tal como o champô, é três em um: pronta para combater o deficit de atenção (provavelmente por parte dos pais), depressão (de não lhes apetecer estudar) e a famosa hiperactividade (que não passa muitas das vezes de malcriação).

O certo é que na minha escolinha, nas turmas do primeiro ciclo, já há muitos alunos "dopados" em sala de aula - é assustador!!! O que é que um puto entre os seis anos e nove/dez anos precisa de um anti-depressivo? Estamos a criar/educar crianças "zombies"?

Parece que esta moda que entrou em Portugal, a partir de 2004, infelizmente, está a acentuar-se!

No entanto, neste momento, nos EUA já há uma corrente anti-ritalina, inclusive na classe médica, muitos desses alunos já se encontram na fase do "desmame", visto que os pedo-psiquiatras chegaram à simples conclusão que alunos "zombies" não evoluem... e que muito desses problemas são derivados pela falta de atenção familiar, provocando desordens emocionais que se reflectem no vida escolar (lá estou eu armado em professor-psicólogo).

Eu próprio já contactei com vários desses "zombies". Numa das minhas turmas: uma rapariga (que até é uma aluna razoável) toma dosagens fora do comum desse fármaco: está inchada como um peixe-balão e olha para o quadro negro como se fosse a linha do horizonte; o outro aluno o qual já teve um processo disciplinar (foi suspenso durante cinco dias), depois de ter destruído uma porta de sala de aula, após a sua expulsão pelo seu docente de Português - confesso, fui eu esse professor), neste momento também fixa o mesmo quadro numa sonolência melancólica e quando me aproximo da sua carteira para lhe tirar dúvidas, este olha para mim pestanejando, apenas a sua pálpebra esquerda! Parece o Herr Flick da Série Allô, Allô...

Eu até poderia estar feliz, pois está manso como um cordeiro, mas não, faz-me impressão um aluno assim, amputado das suas faculdades físicas e psicológicas... Não há risco de me bater, isso é seguro (ou será?), mas certamente é incapaz de aprender de forma minimamente produtiva e saudável...

O certo é que aos pais isso também lhes facilita a vidinha - podem descansar -, porque lidar com este tipo de crianças 24 horas por dia (isto nos fins de semana) não é fácil... Mas será justo criar/educar filhos/alunos catatónicos?

E eu a pensar que apenas os seus professores viviam sob os efeitos de calmantes... E esta, hein? (termino à moda de Fernando Pessa)

PS (mas não o do Sócrates) - imaginem um escola pública catatónica, com professores, funcionários e alunos "Zombies", dava um bom filme de terror, não?

domingo, 8 de maio de 2011

ALÇADA E O MUNDO REAL

A nossa (diz que é uma espécie de) ministra gosta de estar em contacto com o mundo real, com a realidade das escolas. Vai daí, nada melhor que visitar as escolas in loco. Desta vez é a Escola Secundária de Paredes...a um domingo!!!

Eu até percebo, durante a semana estão lá aqueles putos todos a falar alto. E alguns são memo feios, com aquele acne todo. E cheiram mal. Tiram todo o glamour de uma escola acabadinha de "ser intervencionada"...escolas sem miúdos é muito mais coiso, sei lá!

kjkj

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O NOSSO FALHANÇO

Domingo de chuva. Conversa entre casais com filhos em idade escolar e eu a única professora. Muitas críticas à atitude de alguns professores, à forma como os horários dos miúdos são realizados. Algumas delas com muita razão de ser. E depois a indisciplina. Que quando um miúdo fazia isto era incompreensível que a escola não tomasse esta e aquela atitude. Que quando um aluno não quer saber da escola, devia ser convidado a sair. E aí começo eu com o discurso que desde a MLR que isso não é possível. Mas a conversa continua: que quando um aluno agride um funcionário ou professor devia ser expulso...e então percebi que estava tudo a leste. Foi preciso fazer um ponto à situação:

- Oh J., vamos lá a ver se eu me faço entender: desde a MLR que não há mesmo expulsões do ensino, percebe? Saiu da lei. Não é possível. Não existe mesmo!

E é com espanto que percebo que estou a dar uma novidade aos restantes.

Não há dúvida que houve um falhanço em toda a linha no que à mensagem que conseguimos passar para o resto da sociedade diz respeito. Niguém sabe de facto o que é que se passa com a legislação escolar e está toda a gente convencida que é a avaliação de professores a grande e única fonte de atrito nas escolas. Neste sentido, nós, professores, profissionais da transmissão de informação, falhámos. É um facto.

hgh

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PROJECTOS ESTRUTURANTES


Ufana, a L. conta-me que chegou hoje o Magalhães da filha que está no primeiro ano. Custou-lhe 20€. A ela, bem entendido. Ao estado ficou por muito mais. Fico contente que estejamos já com um pé no abismo mas que se continuem a alimentar os projectos estruturantes. Estruturantes para as finanças da JP Sá Couto, claro (já que qualquer pessoa que tenha um filho no ensino básico percebe que o uso do computadorzinho para fins educativos é residual...).

A personagem principal do livro A Fogueira das Vaidades gostava de usar a expressão hemorragia de dinheiro. Eu também.

jhj

quarta-feira, 13 de abril de 2011

PLANOS DE RECUPERAÇÃO - EXERCÍCIO DE REFLEXÃO

Exercício
Leia com atenção os dois casos seguintes e encontre o que têm em comum:


Caso 1. Um aluno, bem educado e com boa postura em sala de aula, tem um 3 confortável na maioria das disciplina no 1º periodo. Duas negativas. Não se fez plano de recuperação em Dezembro. Desceu para notas entre os 40-50% nos primeiros testes do 2º período. Os professores consideraram que tinha sido um azar. Não se fez plano de recuperação em Fevereiro. Nos segundos testes do 2º período, os valores dos testes desceram para notas da ordem dos 20%. Na reunião de avaliação do 2º período, o menino deixou de ter 2 negativas para passar a ter 6 níveis 2.

Caso 2. Uma aluna de níveis 3 e 4 a todas as disciplinas no 1º período. Sem plano de recuperação em Dezembro, naturalmente. Notas mantém-se nos primeiros testes do 2º período. Sem planos de recuperação em Fevereiro, naturalmente. Entretanto, acaba um namoro e começa em queda livre. Começa a faltar á escola e desaparece de casa durante dias seguidos. Segunda fornada de testes no 2º período já entregues incompletos e notas a descer abruptamente.

E o que os dois casos têm em comum é...Nenhum dos dois meninos poderá chumbar no 3º período porque os professores, não tendo adivinhado o futuro, não fizeram plano de recuperação!

Moral da história: Se um puto for esperto, mantém-se até Fevereiro e depois pode meter férias. Que geração estamos nós a educar?

ps: Esclarecimento para quem está fora do sistema: o plano de recuperação é uma ficha já formatada onde os professores põe umas cruzinhas a indicar que os meninos devem fazer os TPC, devem trazer o material, devem vir às aulas...às vezes, os pais vão lá assiná-las, outras vezes, nem para isso vão à escola...

m,m

terça-feira, 12 de abril de 2011

Reminiscências do Ensino Privado


Hoje tive a minha última reunião de CT. Entreguei toda a documentação da minha DT - não houve nada a registar, consequentemente fui dispensado pelo meu CD - se houver algum problema, serei contactado, senão voltarei apenas no 3º Período e terei agora um merecido descanso físico e psicológico...

À saída desejei uma BOA PÁSCOA e vice-versa!!

Na minha antiga escolinha privada quando eu e uma colega minha tivemos a infelicidade de desejar uma BOA PÁSCOA, na Secretaria da escola, fomos acusados pelos funcionários de párias. O CD, "nosso amigo", não hesitou:

i) 35 horas semanas efectivas na escola -mesmo que todo o serviço estivesse realizado e as aulas preparadas, tínhamos que permanecer de castigo na escola a olhar para a parede;

ii) Picagem de ponto;

iii) Dispensa nas pausas lectivas da Páscoa e de Natal, somente nas vésperas (na parte da tarde), dos dias Santos...

Enfim, uma chachada completa!!!

Agora... agora liberdade mental!!!!

Agora, grita-se: LIBERDADE E BOA PÁSCOA EM ALTA VOZ!!!!!